o difícil é falar sobre isso, usando as quadradas palavras que conheço.
a palavra - algo tão forte, base da nossa comunicação, verdade irrefutável e absoluta em nossa vida - é, de certa forma, desprovida de sentimento.
assim como uma tela virgem, a palavra não tem significado, até o momento em que for usada.
quando se escreve algo, quando se desabafa no papel, quando rimamos os sentimentos, nesse momento, e apenas nesse momento, a palavra é carregada de sentimentos e significados.
o fruidor de uma poesia, apesar de sentir despertar dentro de si grandes emoções ao recitar os versos de outro indivíduo, chega pouco perto de toda a intensidade atingida pelo poeta original, no clímax de sua inspiração.
pronto! me vejo num paradoxo.
a escrita não capta todas as nuances e entonações de voz, que faz o discurso ser orgânico e vivo. tão pouco o gestual e as expressões, tão importantes na transmissão de uma mensagem. as letras apenas estão ali, quadradas, vazias, sujeitas à interpretação subjetiva de cada um, ou seja, a mensagem original dificilmente é compartilhada.
por outro lado, quem nunca chorou ao ler uma simples carta, um pequeno livro ou uma bela letra de música?
no último exemplo, tomando emprestado dos sons o poder de tocar a alma, a força da mensagem pode ser potencializada.
a musica muitas vezes é maior que seu compositor.
uma musica pode ser interpretada de tantas formas, que é difícil acreditar que foi concebida por um único indivíduo humano. me parece que o bom "fazedor de musica", é uma espécie de pára-raio, através do qual o mundo e a arte se expressam livremente. como as notas de Schoenberg a beleza do mundo está vagando em nossas mentes numa nuvem caótica, e raramente a entendemos. cabe ao verdadeiro artista faze-la chover nessa terra tão fértil que é a mente humana.
como pode alguém compor de forma a ser entendido universalmente?
a musica não tem idioma ou gramática, não tem regra ou padrão, assim como toda manifestação artística textual. porém com o elemento sonoro encorpando e expandindo o campo sensorial de quem a ouve, a musicalidade faz as vezes de mediadora na comunicação artista/fruidor.
de fato, a música é a mais poderosa ferramenta de comunicação que somos capazes de utilizar. através dela conseguimos nos aproveitar de todo um universo de informações que estão dispersas no inconsciente coletivo, e nos fazemos entender em qualquer situação.
veja bem, não estou descobrindo nada.
o recurso musical sempre foi utilizado para esse fim. os cânticos religiosos, os gritos de guerra, as cantigas cheias de ensinamentos e tantas outras formas de comunicação musical, se mostram historicamente eficientes.
não subestimemos, pois bem, o poder da música.

Gostei, wiwi!
ResponderExcluirParticularmente, gosto muito de música.. e é difícil encontrar alguém que não curta pelo menos um pouquinho, ou sinta o mínimo de emoção com a onda de significado que flui da melodia, da batida, do casamento de palavras nos refrões.
E sobre o poder das palavras, acho que a maioria de nós não sabe se expressar. Sozinhas, as palavras são inegavelmente vazias... mas nós também não somos assim? Precisamos de coisas perto de nós, pessoas, objetos, grupos, valores. O mesmo ocorre com as palavras!
Adorei o post, kiwi :*
Mi - Cásper
Utilizo-me de toda subejetividade que as palavras das quais me aproprio neste instante carregam, para expor de forma a ser necessária interpretação sem contextualizar anteriormente (e disso se emcumbem as reticências), que ao ler suas palavras fui invadida por verdade e emoção permitindo-me assim desvendar significados de suas frases, enquanto tu segue seduzindo em tua prolixia!
ResponderExcluir(... e eu na minha sigo tentando exprimir o quão foda penso que tu és!)
Não subestime, pois, o poder de suas palavras!